domingo, 1 de junho de 2008

Mistérios e Rituais

A noite é bela, escura e fria
cheia de brilhantes multicoloridos que cintilam sob a umidade do ar
A noite é uma senhora, afável e soberba, gentil e vaidosa
que faz carinhos com sua brisa leve pelo meu corpo,
que me arranca todos os sonhos,
que me entrega maliciosamente a toda doce melancolia do que
desejamos mas somos incapazes de ter ou de ser.
Teu céu negro é a íris escura de um deus misterioso
que fitamos ávidos de mistério
do mistério de nossa origem
Mistério do destino, do sono e do sonho

A noite o céu se transmuta em grande útero da massa terrena sonhadora.
Nas horas melancólicas e frias da noite, olho pela janela e sinto uma ânsia de mergulhar na cidade, de me perder entre a gente, de fazer o que não fiz, de sentar-se numa mesa de bar na beira do cais, prosear, beber até me sentir completamente desinibido e ver o mundo com outros olhos, com olhos de bêbedo, com os olhos de um apaixonado, de alguém que tenha tomado uma boa dose de alucinógeno e que sinta a vida pulsar com toda força em suas veias. E me pergunto porque ainda não explorei todas as possibilidades, porque nos limitamos tanto. Satisfaço-me com o ouvir essa sinfonia urbana num palco de luzes e cores, jovens, homens, velhos a andar pelas ruas sedentos de emoções, esperando viver grandes aventuras, seus egos sequiosos de prazer responsável e seus ids loucos querendo passar a perna no guarda da esquina mental. Agora imagino-me maquiado, a àndar na rua, fingindo ser outra pessoa, olhando para o que fazem todos os mortais à minha volta.